Cobrança feita na Câmara reacende críticas ao governo municipal após denúncia de falta de água potável, ventiladores com defeito e problemas de manutenção na Creche Rita Cássia Juliano.
Quando falta água potável para crianças dentro de uma creche municipal, não se está diante de um detalhe administrativo. Está escancarada uma falha grave de prioridade. Na 9ª Sessão Ordinária da Câmara de Itararé, realizada em 30 de março de 2026, a pauta pública registrou cobrança envolvendo a Creche Municipal Prof.ª Rita Cássia Juliano, com menção à necessidade de água potável, manutenção de banheiros e ventiladores. O que deveria ser o básico virou problema político, administrativo e moral.
Segundo relato levado à tribuna pelo vereador Sandro Macedo, após reclamações de pais, a visita ao local revelou que as crianças estavam sem acesso adequado à água para consumo e que professores precisavam improvisar com recipientes dentro da sala. A denúncia ganha ainda mais peso porque não veio como fala vazia de oposição. Veio, segundo o próprio vereador, depois de verificação no local. E quando o assunto é criança, calor e ambiente escolar, improviso não é solução, é retrato do fracasso da gestão no essencial.
O problema fica ainda mais sério porque a mesma unidade já vinha sendo alvo de cobrança anterior. Em agosto de 2025, a Câmara divulgou a aprovação de moção de apelo pedindo reforma urgente da Escola Municipal Prof.ª Rita Cássia Juliano. Ou seja, o alerta não nasceu agora. O recado já havia sido dado, formalmente, e o poder público já sabia que a estrutura exigia atenção.
A contradição que mais desgasta o governo João Fadel é outra. Em dezembro de 2025, a própria Prefeitura de Itararé afirmou, em sua retrospectiva oficial, que a creche recebeu troca de vidros quebrados, instalação de televisores em salas, geladeira nova e portão eletrônico. No mesmo texto, a administração resumiu que todas as escolas municipais foram beneficiadas com melhorias e que isso refletia o cuidado da gestão com os espaços de aprendizagem. Três meses depois, a pauta pública da Câmara registrou cobrança por água potável, ventiladores e manutenção na mesma unidade. A narrativa oficial vende avanço, mas a realidade cobra o básico. https://itarare.sp.gov.br/prefeitura-de-itarare-sp-divulga-retrospectiva-2025/
É aí que a crise deixa de ser apenas estrutural e vira crise de gestão. Porque, se o problema só anda depois da fiscalização e da exposição pública, a sensação que fica para pais, servidores e população é clara, a máquina não funciona por rotina, funciona por constrangimento. Em vez de prevenção, correção tardia. Em vez de planejamento, remendo. Em vez de prioridade real para a infância, reação de última hora quando o desgaste bate à porta.
A fala de Sandro Macedo acerta em cheio num ponto que o governo não consegue neutralizar com nota bonita nem retrospectiva otimista. Garantir água potável para criança em creche não é meta de luxo, não é obra de marketing, não é entrega para foto. É obrigação primária. Quando isso falha, o problema não é só um filtro, é uma gestão que parece perder tempo com a vitrine enquanto deixa o alicerce descascar.
Se o conserto veio logo após a fiscalização, como relatado pelo vereador, a pergunta que sobra para Itararé é incômoda e legítima: por que não foi feito antes? E mais, quantos problemas só deixam de existir quando algum vereador, pai ou servidor resolve expor o que a administração deveria ter resolvido sozinha? Quando o básico precisa de pressão política para acontecer, o governo já está em débito com a cidade.
Opinião
Em Itararé, o caso da Creche Rita Cássia Juliano deixa uma mensagem dura, mas difícil de contestar: quando falta água potável para criança e a solução só aparece depois da cobrança, o que está quebrado não é apenas o filtro, é o modelo de gestão.
A reportagem se baseia na pauta pública da 9ª Sessão Ordinária da Câmara de Itararé, em registros oficiais anteriores do Legislativo e em publicação institucional da Prefeitura. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e da Secretaria de Educação.















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