A Secretaria Municipal de Saúde de Itararé voltou ao centro da crise política e administrativa. Em pouco mais de um ano de gestão, a pasta entra em nova troca de comando, em meio a críticas por falta de transparência e por decisões vistas como mais políticas do que técnicas.
Até o fechamento desta publicação, em 02 de março de 2026, a Prefeitura não havia publicado um comunicado consolidado e de fácil acesso com os atos formais da mudança, como exoneração, nomeação e justificativas. Quando o governo não explica, a cidade preenche o vazio com versões, boatos e disputas, e na Saúde isso pesa em dobro, porque não se trata de narrativa, se trata de fila, ambulância, consulta e atendimento na ponta.
Nos bastidores, a informação que circula é que o novo secretário já teria feito reunião com vereadores da base antes de qualquer anúncio formal à população. Se confirmada, a ordem dos fatos acende um alerta, primeiro articulação política, depois transparência. A Saúde não pode virar um “setor de atendimento por acesso”.
Depois de tantas denúncias, finalmente a pressão funcionou e a secretária caiu. Foram semanas de reportagens, cobranças e questionamentos públicos do Folha Sudeste, com a população cobrando junto, em comentários, mensagens e mobilização local. O silêncio virou desgaste, o desgaste virou pressão, e a pressão virou decisão. Mesmo sem uma explicação oficial robusta até 02 de março de 2026, a troca no comando é lida como uma vitória direta da fiscalização social, quando o poder não responde, a imprensa aperta e o povo empurra. O prefeito João Fadel Filho não aguentou o tranco e cedeu.
O que muda na porta e o que fica do lado de dentro
A crítica que cresce não é apenas sobre “ser de fora”. É sobre critério e resultado. Trocar um nome por outro, sem plano público, sem metas, sem diagnóstico e sem prestação de contas, vira apenas rotação. E rotação não reduz fila.
A gestão anterior, sob o comando de Taís Chagas Felix, foi alvo de sequência de reportagens do Folha Sudeste com denúncias, questionamentos e cobranças por resposta oficial. O acúmulo de episódios exige fechamento com fatos, documentos e providências, não só com troca de crachá.
O que já foi publicado e segue cobrando resposta
Abaixo, os principais casos já publicados pelo Folha Sudeste, citados como cobranças de esclarecimento, apuração e providências:
- Uso irregular de van da Saúde e Pedido de Informação 51 de 2025
- Garagem da Saúde, denúncia de veículos parados e frota sem circulação
- Denúncia envolvendo plantão, escala e condutas em unidade vinculada à Saúde
- Neuropediatria, demanda reprimida e cobrança por assistência real, não propaganda
- Viagens, críticas e denúncia ao Ministério Público, segundo a reportagem
- Ambulância parada por meses e questionamentos sobre pagamento, segundo a reportagem
- Imóvel ligado à Saúde abandonado e risco ao patrimônio público, segundo a reportagem
O novo nome e a pergunta que interessa
O nome citado nos bastidores como provável novo comandante da Saúde é o de Luiz Fernando Tassinari. Nas redes, há comentários duros de moradores de cidades vizinhas sobre experiências negativas e críticas à atuação dele em outros contextos. Parte dessas falas inclui ataques pessoais e acusações graves, que não podem ser tratados como fatos sem prova documental e apuração formal.
O que é legítimo e urgente discutir, com interesse público, é o modelo de gestão que Itararé quer para a Saúde. A pasta vai ser gerida com metas, indicadores e organização de rede, ou vai funcionar como balcão de demanda política, onde o cidadão depende de vereador para acessar o básico?
Saúde pública não é atendimento por favor. É sistema funcionando sem o cidadão precisar “pedir”. Quando o serviço vira “caso pontual”, a cidade inteira perde, especialmente quem não tem acesso.
Quem manda na Saúde, técnica ou gabinete
Outro ponto que o governo precisa encarar é a governança. Comentários de bastidores sugerem influência política interna na condução de secretarias, incluindo a Saúde. Isso não pode ser tratado como verdade sem evidência, mas pode e deve virar cobrança objetiva por transparência. A Prefeitura tem um caminho simples para encerrar versões, publicar os atos oficiais, explicar o motivo da troca e apresentar um plano com prazos.
Oito perguntas que a Prefeitura precisa responder
A Folha Sudeste solicita manifestação oficial do Executivo sobre:
- A secretária foi exonerada? Em qual data, por qual ato e com qual justificativa formal.
- Quem assume oficialmente? Portaria, data e início efetivo no cargo.
- Quais critérios técnicos sustentam a escolha? Currículo, experiências e justificativa administrativa.
- Qual o plano dos primeiros 90 dias? Entregas, prazos, metas e indicadores.
- Qual medida imediata para reduzir a fila de neuropediatria e a demanda reprimida?
- Qual a situação atual da frota? Veículos parados, manutenção, escala e disponibilidade real.
- Quais respostas oficiais foram dadas aos pedidos de informação e aos casos já publicados.
- Qual é o fluxo formal de decisão na pasta? Quem define prioridades e como isso é publicizado.
A reportagem mantém espaço aberto para resposta oficial e publicação integral de esclarecimentos e documentos.
Nota de transparência
Até o fechamento desta publicação, em 02 de março de 2026, a Prefeitura não havia divulgado de forma consolidada os atos e esclarecimentos sobre a troca no comando da Secretaria Municipal de Saúde. Caso sejam publicados documentos oficiais e respostas formais, este texto será atualizado.














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