Nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, o mundo marca o Dia Mundial da Saúde, data promovida pela Organização Mundial da Saúde. Neste ano, a campanha global traz o tema “Together for health. Stand with science”, com defesa da ciência, da cooperação e de respostas concretas para proteger a saúde da população. Em Itararé, porém, a data chega longe de qualquer clima de celebração. O que se impõe é uma pergunta incômoda, mas necessária: o que, de fato, há para comemorar na saúde pública do município?
Nos meses seguintes, a gestão passou a divulgar medidas para reforçar o sistema. Em 21 de maio de 2025, a Prefeitura anunciou o início das consultas em neuropediatria, afirmando que a iniciativa buscava reduzir a fila de espera e ampliar o atendimento a crianças da rede municipal e pacientes do SUS. Em 25 de julho de 2025, a administração também divulgou a entrega de duas novas ambulâncias para reforçar o transporte de pacientes. No discurso oficial, o roteiro era de avanço. Na prática, a sensação de sufoco na rede não desapareceu.
A própria retrospectiva oficial de 2025 tentou apresentar a saúde como área de reorganização e expansão. O balanço da Prefeitura afirma que Itararé ampliou de 7 para 11 Equipes de Saúde da Família credenciadas pelo Ministério da Saúde e de 2 para 5 Equipes de Saúde Bucal, além de destacar ações no CAEEI, a contratação de neuropediatra e outras medidas de estruturação. Ainda assim, o dado político mais relevante é outro: se a rede estivesse plenamente equacionada, dificilmente seguiria exigindo recomposição, ajustes e novos movimentos emergenciais meses depois.
Esse ponto fica ainda mais evidente em 2026. Em 24 de fevereiro, o portal de licitações do município registrou a abertura da Chamada Pública nº 004/2026, voltada ao credenciamento de médicos devidamente habilitados para a realização de consultas no município de Itararé, com data de realização em 2 de março de 2026 e status divulgado como aberto. Em termos práticos, isso mostra que a Prefeitura ainda precisava buscar reforço para atendimento médico especializado, mesmo depois da sequência de anúncios feitos ao longo de 2025.
Outro fator que pesa sobre a leitura da gestão é a rotatividade no comando da pasta. A Secretaria Municipal de Saúde já passou por três nomes na atual administração. O primeiro foi Dr. Enis Wumberto dos Santos, nomeado pela Portaria nº 13/2025 e identificado como secretário em atos e publicações oficiais do início do governo. Depois, a Portaria nº 655, de 12 de junho de 2025, nomeou Taís Chagas Felix para o cargo. Mais tarde, a Portaria nº 242, de 3 de março de 2026, nomeou Luiz Fernando Tassinari como novo secretário. Em linguagem direta, a saúde de Itararé já teve dois secretários substituídos e um terceiro atualmente no comando, em uma das áreas mais sensíveis da administração pública.
O problema central não é apenas administrativo, é humano. Fila não é planilha. Falta de especialista não é detalhe. Estrutura precária não é ruído político. Em saúde pública, cada atraso pesa sobre quem depende de consulta, exame, transporte, medicamento e atendimento contínuo. Quando o poder público anuncia avanços, mas a própria documentação oficial revela reivindicações de base, trocas no comando e busca posterior por mais médicos, o discurso de normalidade perde força.
Neste Dia Mundial da Saúde, Itararé tem pouco a comemorar e muito a explicar. A data que deveria simbolizar cuidado, planejamento e compromisso com a vida expõe, no município, um contraste duro entre o que foi prometido, o que foi anunciado e o que ainda precisa funcionar de verdade. Saúde não é favor. Saúde é direito. E direito não pode depender de improviso, propaganda ou boa vontade de ocasião.

















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