A cobrança feita pelo vereador Dr. Filipe Martins na 11ª Sessão Ordinária de 13 de abril de 2026 teve um alvo claro, a gestão de Lucas Aparecido Castilho à frente da Secretaria de Serviços Municipais de Itararé. O centro da crítica não foi um problema isolado, mas um conjunto de escolhas, omissões e falhas de condução que, segundo o vereador, ajudam a explicar por que a cidade segue associada a mato alto, zeladoria precária, asfalto mal cuidado e sensação de abandono.
O peso político da fala aumenta porque Lucas não é um secretário qualquer. Antes de assumir a pasta, ele construiu sua imagem pública com vídeos, ataques e cobranças duras contra a gestão anterior, adotando para si o apelido de “vereador sem cabresto”. Hoje, porém, ocupa oficialmente o cargo de secretário de Serviços Municipais. A cobrança em plenário, portanto, atinge não apenas um secretário, mas a forma como o governo João Fadel Filho vem conduzindo uma das áreas mais sensíveis da administração.
Na fala enviada à reportagem, Dr. Filipe sustenta que Lucas passou anos se apresentando como alguém que dominava a pasta, que sabia apontar erros e que teria solução para os problemas da cidade. A expectativa natural, segundo o vereador, era que ele entregasse um trabalho melhor ao assumir a secretaria. O que se viu, no entanto, foi o oposto, uma pasta desorganizada, incapaz de dar conta nem do básico. No texto, o parlamentar cita especificamente o corte de mato como “um desastre”, a manutenção do asfalto como deficiente e os tapa-buracos como tecnicamente mal executados, reforçando a ideia de que falta conhecimento operacional e, principalmente, gestão.
É justamente aí que a crítica ganha tração popular. A cobrança do vereador conversa com algo que a própria população já vem repetindo nas ruas e nas redes sociais, a percepção de que Itararé está sendo administrada no modo de apagar incêndios, sem planejamento contínuo, sem manutenção preventiva e sem resposta à altura do tamanho da pasta. O problema, para o atual secretário, é que ele próprio ajudou a erguer a régua que agora cai sobre sua cabeça. Quem antes filmava o abandono, hoje precisa explicar por que o abandono continua sendo assunto diário.
A fala de Dr. Filipe não ecoou sozinha. Nas redes sociais, a publicação sobre o secretário virou espaço de desabafo de moradores, com relatos de iluminação precária, falta de calçada, abandono de praças e sensação de cidade largada. Quando a crítica da tribuna encontra a irritação das ruas, o desgaste deixa de ser apenas discurso de oposição e passa a ganhar corpo como percepção pública de fracasso na condução da pasta.
Em um dos comentários encaminhados à reportagem, a moradora Elisabete Souza resume esse sentimento ao afirmar que a cidade estaria “precária”, com lixo, galhos jogados nas calçadas, mato por toda parte e uma administração que, na visão dela, estaria muito mal conduzida. O comentário, por si só, não substitui documento nem medição oficial, mas ajuda a ilustrar um ambiente de insatisfação que vem aparecendo com frequência nas reações públicas sobre a pasta.
Dr. Filipe ainda ampliou a gravidade da crítica ao tratar da situação da frota. No texto enviado, ele menciona uma motoniveladora parada, uma patrola quebrada e, principalmente, um caminhão parado em oficina particular há cerca de sete ou oito meses, sem manutenção concluída e sem solução visível. Segundo sua manifestação, isso revela erro de escolha, demora injustificável e falha de condução administrativa. O ponto central da fala não é uma pane específica, mas o retrato de uma secretaria que, mesmo com estrutura e orçamento, não consegue responder com eficiência a problemas que se arrastam por meses.


As fotos encaminhadas à reportagem mostram um caminhão da Prefeitura de Itararé desmontado em oficina, com a parte frontal aberta e o veículo imobilizado. A imagem, por si só, não comprova a causa do problema nem atribui responsabilidade técnica definitiva. Mas, politicamente, ela pesa. Pesa porque dialoga diretamente com a fala levada à tribuna. Pesa porque transforma em imagem concreta a crítica sobre a frota parada. E pesa porque reforça a percepção de que a secretaria, hoje, está muito distante do discurso de eficiência vendido no passado.
No desfecho de sua manifestação, Dr. Filipe atinge o ponto mais sensível da crise, a distância entre o personagem político e o gestor real. Segundo o texto encaminhado à reportagem, toda a propaganda feita por Lucas Castilho no passado estaria se desmontando na prática, enquanto a população sofre com uma gestão que, nas palavras do vereador, não é nem sombra daquilo que o atual secretário aparentava ser quando criticava os outros. Mais do que uma disputa pessoal, a fala constrói uma narrativa de frustração pública, a de um homem que se apresentou como solução e hoje virou sinônimo de cobrança.
A crítica também sobe a escada do governo. Quando a Secretaria de Serviços Municipais vira alvo constante de reclamações sobre mato, asfalto, máquinas paradas e demora na manutenção, o desgaste já não fica só no colo de Lucas Castilho. Nas redes sociais e nas divulgações da própria gestão, o vice-prefeito Alessandro Martins, hoje chefe de Governo, aparece com frequência ajudando e acompanhando ações da pasta. Se participa da condução política da área, também entra na conta quando o resultado não aparece. E, no fim, a cobrança inevitavelmente bate no prefeito João Fadel Filho.
No fim das contas, a fala de Dr. Filipe Martins organiza aquilo que boa parte da cidade já vinha percebendo de forma espalhada. Não se trata apenas de um caminhão parado ou de uma máquina quebrada. Trata-se de uma secretaria cobrada por desorganização, ausência de prevenção e incapacidade de transformar promessa em resultado. E essa talvez seja a imagem mais incômoda para Lucas Castilho, o ex-vereador que se vendeu como fiscal sem freio e agora se vê cobrado exatamente por não conseguir entregar aquilo que jurava saber fazer.















Discussão sobre este post