Por Ricardo Tiburcio | Itararé (SP) | 3 de novembro de 2026
O que você precisa saber:
Secretário sob pressão: Lucas Castilho, responsável pela Secretaria de Serviços Municipais, já havia sido alvo de um pedido público de substituição feito pelo vereador Dr. Filipe Martins.
Prazo de 30 dias: em 8 de junho, o vereador Pastor James Garcia informou na Câmara que o Ecoponto seria transferido em até um mês, conforme informação recebida de integrante da administração municipal.
Quase cinco meses depois: fotografias registradas em 1º de novembro mostram o Ecoponto ainda funcionando na Rua São Pedro, com resíduos acumulados na área externa.
O que deveria ser resolvido em 30 dias continua levantando questionamentos quase cinco meses depois. O Ecoponto Municipal de Itararé, localizado na Rua São Pedro, voltou a ser registrado com caçambas cheias e materiais descartados na área externa do imóvel.
As imagens contrastam com a informação apresentada durante a 19ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, realizada em 8 de junho de 2026, quando o vereador Pastor James Garcia relatou ter recebido a previsão de que o equipamento seria transferido para outro endereço em até um mês.
O prazo mencionado terminou em julho. Entretanto, 146 dias após a sessão, as fotografias de 1º de novembro mostram que o Ecoponto permanecia no endereço original.
A situação reacende cobranças sobre a atuação da Prefeitura, comandada por João Fadel Filho, e sobre a Secretaria de Serviços Municipais, chefiada por Lucas Castilho.

O que foi anunciado na Câmara?
A destinação de resíduos ocupou parte da sessão legislativa de 8 de junho. Durante as discussões, vereadores abordaram reclamações de moradores e as condições do Ecoponto.
Por volta de 1h19min da transmissão, Pastor James afirmou ter recebido da secretária municipal de Agricultura, Patrícia Lima, a informação de que o equipamento seria transferido em até 30 dias.
O parlamentar mencionou um espaço nas proximidades do Convento, onde haveria condições para a entrada de caminhões e o posicionamento das caçambas em uma área interna.
Na sequência, o vereador Tião do Bairro manifestou apoio à iniciativa. O assunto também foi abordado por Waltinho, Peneira e Pastor Marquinhos, demonstrando que o problema já fazia parte das discussões do Legislativo.
O anúncio criou a expectativa de uma solução em curto prazo. Entretanto, os registros de novembro mostram que o Ecoponto continuava no endereço original.
Se havia uma previsão de transferência em 30 dias, o que aconteceu com esse planejamento?
Assista à manifestação de Pastor James na gravação oficial da Câmara.
O que mostram as imagens de novembro?
As fotografias registradas em 1º de novembro de 2026 documentam a situação no entorno do Ecoponto Municipal, localizado na Rua São Pedro, nº 3430, bairro Tonico Adolfo.
Os registros mostram madeiras, móveis descartados, pneus, entulho e outros materiais acumulados dentro e ao redor das caçambas.
Parte dos resíduos aparece diretamente sobre o chão, em áreas próximas à calçada e à via pública.
As imagens comprovam as condições encontradas naquela data, embora não permitam afirmar que a situação tenha permanecido idêntica durante todos os meses anteriores.
Ainda assim, o cenário é suficiente para questionar a eficácia das medidas adotadas desde junho.
A população não precisa apenas de novos anúncios. Precisa de um sistema de descarte organizado, fiscalizado e capaz de impedir que resíduos continuem se acumulando nas áreas externas.
O que aconteceu com o endereço próximo ao Convento?

Outro ponto que merece esclarecimento envolve o destino mencionado durante a sessão da Câmara.
Segundo informações encaminhadas à reportagem, um barracão nas proximidades do Convento teria sido considerado para receber o Ecoponto.
O imóvel indicado apresenta atualmente uma placa do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), identificando o setor de Comunicação Visual Operacional.
As fotografias comprovam a identificação atual do prédio. Entretanto, não há documentação apresentada à reportagem que confirme que aquele imóvel tenha sido oficialmente escolhido para receber o Ecoponto.
A dúvida permanece: qual era o endereço previsto para a transferência? Houve mudança de planejamento? A administração decidiu manter definitivamente o equipamento na Rua São Pedro?
São informações que precisam ser esclarecidas.
Lucas Castilho: de vereador que cobrava soluções a secretário cobrado por resultados
O episódio também recoloca em discussão a atuação do secretário municipal de Serviços Municipais, Lucas Aparecido de Castilho, que integra a gestão João Fadel desde janeiro de 2025.
Ex-vereador, Lucas construiu parte de sua trajetória política cobrando manutenção de estradas, conservação de espaços públicos e providências da administração municipal.
Agora, à frente de uma secretaria responsável por serviços essenciais, passou a ser cobrado por resultados em áreas relacionadas à sua atuação administrativa.
As críticas não começaram com o Ecoponto.
Em 1º de junho de 2026, durante a 18ª Sessão Ordinária da Câmara, o vereador Dr. Filipe Martins pediu publicamente ao prefeito João Fadel que substituísse Lucas Castilho.
Na ocasião, o parlamentar citou reclamações sobre manutenção de estradas, serviços interrompidos e outras demandas da população.
O Folha Sudeste já havia mostrado que a pressão sobre Lucas Castilho vinha crescendo diante das críticas à Secretaria de Serviços Municipais.
Quem antes fiscalizava a administração agora precisa responder pela execução dos serviços.
A continuidade de Lucas no cargo é uma decisão do prefeito. Diante das cobranças públicas, cabe a João Fadel explicar quais resultados e critérios sustentam a permanência do secretário à frente da pasta.
Prefeitura anunciou nova área de triagem, mas manteve o Ecoponto
Em 10 de junho de 2026, dois dias após a sessão da Câmara, a Prefeitura anunciou a implantação de uma Área de Triagem e Transbordo (ATT), localizada na Avenida José dos Santos Abreu, no bairro Novo Horizonte.
Segundo a administração, a nova estrutura foi criada para receber determinados tipos de resíduos, incluindo materiais da construção civil, móveis sem condições de uso e restos de podas.
Na mesma publicação, a Prefeitura esclareceu que o Ecoponto da Rua São Pedro continuaria em funcionamento.
A informação é relevante porque demonstra que houve uma iniciativa municipal para ampliar a estrutura de recebimento de resíduos, mas não confirma a transferência do Ecoponto mencionada na Câmara.
A administração também atribuiu parte dos transtornos ao descarte irregular realizado por moradores fora do horário de atendimento. Informou que os materiais recebidos eram retirados periodicamente, com recolhimentos realizados, em média, a cada dois dias.
O descarte irregular pela população precisa ser combatido. Entretanto, isso não afasta o dever do poder público de fiscalizar, orientar e manter as condições adequadas de funcionamento dos equipamentos municipais.
Criar uma nova estrutura é uma providência. Garantir que ela funcione e que os problemas anteriores sejam solucionados é outra.
Leia o comunicado oficial da Prefeitura sobre a implantação da ATT.
Denúncia da Unipa amplia preocupação com a gestão dos resíduos
A discussão ganhou outro capítulo em outubro, quando a União Itarareense de Proteção aos Animais (Unipa), localizada ao lado da ATT, denunciou problemas sanitários nas proximidades do abrigo.
Segundo a entidade, o acúmulo de resíduos estaria relacionado à presença de ratos e outros animais indesejados na região.
A Unipa também anunciou a suspensão temporária do recebimento de novos animais.
As denúncias dizem respeito à Área de Triagem e Transbordo, que é diferente do Ecoponto da Rua São Pedro. A relação entre as condições da área e os problemas sanitários relatados ainda depende de avaliação técnica.
Embora envolvam locais distintos, os episódios reforçam a necessidade de fiscalização e acompanhamento dos espaços utilizados pelo município para receber e destinar resíduos.
Veja a publicação da Unipa sobre o assunto.
João Fadel mantém o secretário. Mas quais resultados justificam essa decisão?
A gestão de resíduos envolve diferentes setores da Prefeitura, incluindo Agricultura, Meio Ambiente e Serviços Municipais.
Cabe ao prefeito João Fadel Filho coordenar a atuação dessas estruturas, exigir resultados e avaliar a atuação dos integrantes de sua equipe.
No caso de Lucas Castilho, a permanência no cargo ocorre em meio a cobranças públicas que já ultrapassaram um único episódio.
A questão não é apenas política. É administrativa.
Quando um secretário acumula críticas sobre os serviços sob sua responsabilidade, a população tem o direito de saber quais providências estão sendo tomadas e como o prefeito avalia seu desempenho.
Substituir ou manter um secretário é uma decisão do chefe do Executivo. Mas a escolha também traz responsabilidade sobre a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Não basta afirmar que os problemas estão sendo acompanhados. É necessário demonstrar o que mudou, o que foi corrigido e quais resultados foram efetivamente alcançados.
Quase cinco meses depois, as perguntas continuam
Diante das informações apresentadas na Câmara e das fotografias de novembro, permanecem questionamentos objetivos:
- A transferência do Ecoponto mencionada em junho foi cancelada ou modificada?
- Qual era o endereço previsto para a nova estrutura?
- Existe atualmente um cronograma de transferência ou reorganização do Ecoponto da Rua São Pedro?
- Quais medidas foram adotadas para impedir o descarte irregular no entorno do imóvel?
- Como a Prefeitura fiscaliza o funcionamento da ATT e acompanha os problemas relatados pela Unipa?
- Quais resultados justificam a permanência de Lucas Castilho no comando da Secretaria de Serviços Municipais?
As informações oficiais disponíveis sobre a implantação da ATT e o funcionamento do Ecoponto foram publicadas pela própria Prefeitura em junho.
O Folha Sudeste não realizou uma nova solicitação de posicionamento à administração para esta reportagem. O espaço permanece aberto para esclarecimentos sobre os fatos apresentados.
Mais do que anunciar providências, a gestão João Fadel precisa demonstrar que elas produzem resultados.
O prazo mencionado na Câmara já passou. As fotografias mostram que o problema continuava visível em novembro.
E, enquanto a solução não for esclarecida, a cobrança continuará chegando ao prefeito e ao secretário responsável.
Fontes e documentos
Denúncia da Unipa sobre problemas sanitários
19ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Itararé, 08/06/2026
Prefeitura anuncia Área de Triagem e Transbordo, 10/06/2026
Dr. Filipe Martins cobra mudança na Secretaria de Serviços Municipais















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