A crise na Secretaria de Serviços Municipais voltou ao centro do debate político em Itararé durante a 18ª Sessão Ordinária da Câmara, realizada em 1º de junho de 2026. Em discurso na tribuna, o vereador Dr. Filipe Martins fez duras críticas ao secretário Lucas Aparecido Castilho e cobrou do prefeito João Fadel Filho uma mudança no comando da pasta.
A fala teve como base denúncias recebidas pelo parlamentar, acompanhadas de imagens e vídeos enviados por moradores. Segundo Dr. Filipe, a estrada vicinal que liga o Bairro do Cerrado até Santa Cruz recebeu apenas uma intervenção parcial. A Prefeitura teria iniciado a manutenção, feito um trecho do serviço e depois abandonado o restante da via.
“Começou o serviço, iniciou o serviço, foi fazendo um pedaço da manutenção, chegou em um ponto, parou, levantaram as barracas, voltaram embora e não voltaram mais lá”, afirmou o vereador.
Estrada com mato avançando e risco para moradores
Durante a fala, Dr. Filipe afirmou que a situação da estrada coloca motoristas e moradores em risco. Segundo ele, além da falta de acostamento, há mato avançando sobre a pista e buracos provocados pelas chuvas, o que pode comprometer ainda mais a estrutura da via.
Para o vereador, o problema expõe uma falha recorrente da administração municipal: serviços iniciados, mas não concluídos. A crítica atinge diretamente a Secretaria de Serviços Municipais, comandada por Lucas Castilho, que deveria coordenar ações de manutenção urbana, vias públicas, estradas e demais serviços essenciais da cidade.
“É um lamento, porque tudo o que acontece é pela metade, quando acontece, nessa secretaria de desserviço, em que nada funciona”, declarou.
Microbacias sem limpeza e estrada rural mal executada
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a situação das microbacias em estradas rurais. Segundo Dr. Filipe, moradores relataram que estruturas importantes para o escoamento da água não estariam recebendo a manutenção necessária.
O vereador explicou que as microbacias servem para impedir que a água das chuvas ganhe força e destrua o leito das estradas rurais. Sem limpeza e com execução inadequada da manutenção, a água deixa de ser direcionada corretamente, aumentando o risco de erosão e danos à via.
De acordo com Dr. Filipe, em um dos trechos citados, a máquina teria passado pela estrada e deixado o leito em desnível, impedindo que a água chegasse até a microbacia. Na avaliação do parlamentar, o episódio mostra falta de planejamento técnico e de acompanhamento efetivo dos serviços realizados.
Pressão sobre Lucas Castilho aumenta
As críticas colocam novamente Lucas Castilho no centro do desgaste político da gestão João Fadel. Ex-vereador e hoje secretário de Serviços Municipais, Castilho já vinha sendo alvo de cobranças por problemas em estradas, manutenção urbana, maquinário e conservação de espaços públicos.
A nova fala de Dr. Filipe reforça uma pergunta que começa a incomodar o governo: até quando o prefeito manterá no cargo um secretário sob pressão constante, enquanto os problemas seguem visíveis nas ruas, nas estradas e na zona rural?
Para o vereador, a permanência de Castilho deixou de ser apenas uma escolha administrativa e passou a ser responsabilidade direta do prefeito. A crítica é simples e dura: quando uma secretaria falha repetidamente, a conta política também chega ao gabinete do chefe do Executivo.
“Que situação que a gente está. E o prefeito mantém o secretário”, disse Dr. Filipe.
Cobrança direta ao prefeito João Fadel Filho
No trecho mais duro do discurso, o vereador pediu publicamente que João Fadel troque o comando da pasta. A fala expõe o desgaste entre parte da Câmara e a administração municipal, especialmente em áreas básicas como zeladoria, estradas rurais e conservação de vias.
“Bom, diante de tanta coisa que a gente viu nesse um ano e cinco meses dessa secretaria, é o laguinho lá que ele não conseguiu resolver, é o outro laguinho que deu problema com a máquina, é a estrada. Então, o que eu peço ao senhor prefeito, por favor, por amor à nossa cidade, troque aquele secretário”, afirmou.
A declaração transforma a cobrança em um recado político direto. Para Dr. Filipe, o problema não é pontual. É de gestão. E quando o mesmo setor acumula reclamações, denúncias, serviços interrompidos e falhas de execução, a permanência do secretário passa a ser interpretada como sinal de tolerância do prefeito com a baixa entrega da própria equipe.
Histórico de desgaste na pasta
A cobrança desta semana não ocorre isoladamente. A Secretaria de Serviços Municipais já havia sido citada em outras críticas envolvendo manutenção, descarte irregular de resíduos e problemas de gestão operacional.
Em maio, reportagem do Folha Sudeste mostrou denúncia feita por Dr. Filipe Martins sobre suposto descarte irregular de resíduos em área pública próxima ao Bairro do Cerrado. O caso, segundo a denúncia apresentada à época, teria sido encaminhado à CETESB e ao Ministério Público.
Agora, com novas imagens enviadas por moradores e nova cobrança na Câmara, o desgaste se amplia. A pauta deixa de ser apenas uma estrada ou uma microbacia e passa a mirar a capacidade da gestão municipal de organizar, fiscalizar e entregar serviços básicos.
Cidade cobra resultado, não justificativa
A população não espera discurso bonito de secretaria. Espera estrada transitável, mato controlado, manutenção bem feita, microbacia limpa e serviço público concluído. Quando a máquina vai até o local, faz metade e some, o custo não é apenas financeiro. É político, social e moral.
A cidade paga duas vezes. Paga pelo serviço mal planejado e depois paga de novo para corrigir o que não foi feito direito.
A permanência de Lucas Castilho no comando da pasta, diante da sequência de críticas, tende a se transformar em teste de autoridade para João Fadel. Se o prefeito mantém o secretário, assume também o desgaste. Se troca, reconhece que a pasta precisa de novo rumo.
No fim, a pergunta que fica é direta: Itararé precisa de secretário por gratidão política ou por resultado técnico?
















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