A Prefeitura de Itararé voltou atrás. Depois da forte reação popular, das críticas nas redes sociais e das cobranças feitas pelos vereadores Sandro Macedo e Dr. Filipe Martins na Câmara Municipal, o show do Padre Fábio de Melo foi confirmado na Praça Francisco Alves Negrão, a tradicional Praça São Pedro.
O recuo foi anunciado pela própria Prefeitura nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, em comunicado oficial publicado nas redes sociais. A gestão havia transferido o show para o Centro de Eventos, sob a justificativa de segurança, conforto, mobilidade e expectativa de grande público. A decisão, porém, provocou reação imediata de moradores, voluntários e defensores da tradição da quermesse.
O caso é mais um retrato da falta de planejamento da gestão João Fadel Filho e da condução confusa da Secretaria Municipal de Cultura, comandada por Fábio Nogueira. Primeiro anuncia na praça. Depois muda para o Centro de Eventos. Em seguida, diante da repercussão negativa, volta para a praça. A Prefeitura chama isso de diálogo. A população pode chamar de improviso.
O que dizia o comunicado oficial da Prefeitura
No comunicado publicado nas redes sociais, a Prefeitura confirmou que o show de Padre Fábio de Melo será realizado na Praça Francisco Alves Negrão, no dia 29 de junho, às 20h.
A gestão afirmou que a mudança anterior para o Centro de Eventos havia sido discutida por questões de segurança, expectativa de grande público e ausência de controle de ingressos. Segundo a nota, houve reunião com representantes da Prefeitura, forças de segurança, Paróquia Nossa Senhora da Conceição, organização da Festa de São Pedro e membros da comunidade.
A Prefeitura também declarou que a equipe da Igreja teria participado das tratativas e que o impacto sobre a quermesse foi discutido. Ainda assim, após a divulgação da transferência, a própria administração reconheceu ter recebido inúmeras manifestações da população pedindo a manutenção do show na praça, em respeito à tradição da Festa de São Pedro e à integração entre programação religiosa, quermesse e espetáculo musical.
Diante da pressão popular e de novas conversas entre os envolvidos, a Prefeitura informou que decidiu manter o show na Praça Francisco Alves Negrão.
Em outras palavras: a pressão funcionou.
A crítica que a Prefeitura tentou contornar
Na Câmara, o vereador Sandro Macedo foi direto ao ponto. Ele afirmou ter recebido diversas reclamações sobre a mudança do local e classificou o show como uma excelente iniciativa para a cultura de Itararé. Mas fez uma crítica objetiva: a alteração em cima da hora prejudicava a quermesse.
Segundo Sandro, a mudança era injusta com as pessoas que trabalham na festa, porque, com ou sem grande público, os voluntários teriam que permanecer na praça para atender quem fosse até o local. O vereador também alertou que a decisão dividiria o público e atingiria uma tradição já consolidada.
Sandro Macedo lembrou que a quermesse é tradicionalmente realizada na Praça São Pedro e afirmou que, em vez de valorizar a festa, a retirada do show poderia “matar a quermesse”. A fala é dura, mas traduz exatamente a preocupação de muitos moradores: o show de quase R$ 300 mil poderia se transformar no maior atrativo da festa, mas longe justamente da festa.
O vereador também questionou a justificativa de segurança. Para ele, se havia problema de palco, estrutura ou público, isso deveria ter sido previsto antes da contratação. Sandro foi além: se o show não poderia ser realizado na praça, a Prefeitura deveria ter contratado outra atração ou deixado Padre Fábio de Melo para outra oportunidade.
A crítica é simples e demolidora: planejamento não se faz depois do anúncio.
Dr. Filipe Martins também cobrou a revisão da decisão
O vereador Dr. Filipe Martins também levou o tema à tribuna. Ele afirmou ter recebido várias mensagens de pessoas indignadas com a alteração do local. Segundo ele, os relatos vinham de diferentes pontos de vista: moradores preocupados com a tradição, voluntários que não poderiam assistir ao show e pessoas ligadas à festa preocupadas com a perda de arrecadação.
Dr. Filipe resumiu o problema em uma frase: faltava justificativa convincente.
O vereador questionou a argumentação sobre segurança e estrutura, lembrando que a própria praça já recebeu eventos de grande porte em outras ocasiões. Ele citou o exemplo do show de Chitãozinho e Xororó, realizado em um sábado, com grande público, palco e estrutura relevantes.
Dr. Filipe fez, ainda em tempo, um pedido público para que a Prefeitura revisse a decisão e fizesse “a coisa do jeito certo”.
A Prefeitura reviu.
O recuo revela o tamanho da pressão
O comunicado oficial tenta apresentar a decisão como resultado de diálogo, responsabilidade e respeito às instituições. Mas a cronologia dos fatos fala alto.
Primeiro, a gestão decidiu tirar o show da praça. Depois, a população reagiu. Os vereadores criticaram. O jornal repercutiu o problema. Moradores cobraram nas redes sociais. A quermesse virou centro do debate. Só então a Prefeitura anunciou que o show permaneceria na Praça Francisco Alves Negrão.
É legítimo reconhecer o retorno do show para a praça como uma decisão correta. Mas também é necessário dizer o óbvio: se era possível fazer na Praça São Pedro agora, por que a Prefeitura decidiu tirar de lá antes?
A resposta passa por planejamento. Ou pela falta dele.
A gestão João Fadel e o secretário Fábio Nogueira precisam entender que tradição não é detalhe. A Festa de São Pedro não é apenas uma data no calendário cultural. É fé, memória, comunidade, voluntariado, arrecadação e identidade local.
Quando uma administração pública desloca o maior show da festa para outro local, sem explicar com clareza os documentos técnicos, os critérios e os impactos econômicos sobre a quermesse, ela cria crise onde deveria haver celebração.
O jornal mostrou os fatos e a população respondeu
O Folha Sudeste não precisa fazer oposição para cumprir seu papel. Jornalismo não é torcida. Jornalismo é fiscalização. É mostrar o que o poder público tenta empacotar como decisão técnica, mas que, na prática, afeta a população, a tradição e a comunidade.
Neste caso, os fatos são claros. A mudança gerou revolta. Os vereadores Sandro Macedo e Dr. Filipe Martins deram voz à população. O jornal apontou a contradição. A pressão pública cresceu. A Prefeitura recuou.
E o comunicado oficial, mesmo tentando preservar a imagem da gestão, confirma o ponto central levantado desde o início: a população queria o show na praça, junto da tradição, junto da quermesse e dentro do ambiente natural da Festa de São Pedro.
A Prefeitura pode tentar transformar o recuo em gesto de escuta. Mas o desgaste já está posto. Porque uma gestão organizada não muda o local de um show desse porte, cria insegurança na comunidade, divide opiniões, expõe a quermesse ao risco e depois tenta vender a correção de rota como grande virtude administrativa.
Fadel e Nogueira saem pressionados
O prefeito João Fadel Filho e o secretário Fábio Nogueira precisam sair desse episódio com uma lição básica: evento público não é improviso de gabinete. Especialmente quando envolve show de grande porte, dinheiro público, festa religiosa, tradição comunitária e milhares de pessoas.
A volta do show para a Praça São Pedro é uma vitória da população, da quermesse e da tradição. Também é uma vitória da fiscalização feita por vereadores que não aceitaram a decisão em silêncio.
Sandro Macedo foi preciso ao dizer que tirar o show da praça poderia matar a quermesse. Dr. Filipe Martins foi correto ao dizer que a justificativa não convencia e que ainda havia tempo de rever a decisão.
A Prefeitura reviu. Ponto para a população.
Mas o episódio deixa uma pergunta incômoda para a gestão Fadel: quantas decisões erradas ainda precisarão de pressão pública para serem corrigidas?
No fim, a Festa de São Pedro foi salva do isolamento. O show fica na praça. A quermesse permanece no centro da festa. E a Prefeitura, mais uma vez, precisou ser empurrada pela cobrança popular para fazer aquilo que deveria ter sido planejado desde o começo.















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