Com show de quase R$ 300 mil, gestão João Fadel Filho transfere principal atração da Festa de São Pedro para o Centro de Eventos e provoca cobrança sobre possível prejuízo à quermesse da Igreja Católica.
A gestão do prefeito conseguiu transformar o que deveria ser uma noite de fé, tradição e celebração em mais uma crise política em Itararé. O show de Padre Fábio de Melo, estimado em quase R$ 300 mil, foi transferido da tradicional Praça São Pedro para o Centro de Eventos, separando o maior atrativo da festa justamente da quermesse da Igreja Católica.
A decisão pode até ser vendida pela Prefeitura como medida de conforto, segurança e mobilidade. Mas, politicamente, o recado que chegou a parte da população foi outro: a Prefeitura tirou da quermesse o público mais esperado da Festa de São Pedro. Em uma festa tradicionalmente ligada à Igreja, à praça e à comunidade católica, a mudança soa como um golpe direto na arrecadação de quem se preparou para receber o maior movimento do evento.
O ponto central não é discutir a importância artística ou religiosa de Padre Fábio de Melo. O ponto é outro: se a festa é de São Pedro, por que retirar o maior show da Praça São Pedro? Se a tradição sempre movimentou a quermesse, as barracas, os voluntários e a própria comunidade católica, por que deslocar o público para outro espaço justamente no dia de maior audiência?
A gestão João Fadel e o secretário municipal de Cultura, Fábio Nogueira, precisam explicar se a decisão foi realmente técnica ou se faltou sensibilidade política, religiosa e comunitária. Porque, na prática, o show vai para um lado e a quermesse fica em outro. O palco recebe a multidão. A Igreja pode ficar com o prejuízo.
Nas redes sociais, a mudança gerou reação imediata. Em comentários na publicação oficial da Prefeitura, moradores questionaram a transferência. Fabiano Segatto ironizou: “Agora a festa de São Pedro não é mais na praça São Pedro?”. Edilaine Freitas afirmou que “poderia ser na praça mesmo”. Maria Aparecida Gonçalves Machado lembrou que outros grandes shows já ocorreram na praça e que “coube todo povo”. Enedina Nunes defendeu que bastaria fechar a rua. Célia Regina Rolle Perucio também escreveu que “só fechar as ruas acomoda o povão”.
A preocupação com a quermesse apareceu de forma ainda mais direta. Matheus Texluk Buenoo questionou se a quermesse também iria para o Centro de Eventos e alertou que o show longe da praça poderia derrubar as vendas. Dhaiane Proença perguntou: “E a quermesse como fica?”, lembrando que o grande público aumenta a arrecadação para a paróquia. Luiz da Silva resumiu a crítica popular: “Como que o comércio da festa na praça e o show noutro lugar?”. Raquel Demétrio classificou a decisão como erro e afirmou que a mudança prejudica a Festa de São Pedro e a quermesse.
Esses comentários mostram que o incômodo não é invenção da oposição. A população percebeu a contradição. A Prefeitura anuncia uma grande atração ligada à fé católica, mas tira a apresentação do espaço onde a fé, a tradição e a arrecadação comunitária se encontram. É como fazer a festa de São Pedro longe do coração da festa de São Pedro.
O prefeito João Fadel, que publicamente dialoga com o público católico e usa o simbolismo religioso do evento, precisa responder uma pergunta simples: a decisão da sua gestão fortalece ou enfraquece a quermesse da Igreja? Porque discurso de fé não combina com decisão administrativa que pode esvaziar a principal noite de arrecadação da comunidade.
O secretário Fábio Nogueira também precisa sair da zona de conforto e explicar a escolha. Houve consulta formal à Paróquia? A comissão da quermesse concordou com a mudança? Foi feito estudo sobre impacto na arrecadação da Igreja? A Prefeitura apresentou alternativa para manter o fluxo de pessoas na praça? Ou simplesmente decidiu deslocar o show e deixar a quermesse pagando a conta política e financeira?
A justificativa de segurança, se existir, precisa vir acompanhada de documentos. A população tem direito de saber se houve parecer da Defesa Civil, Guarda Municipal, Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros. Também precisa saber por que a praça, que já recebeu grandes públicos em outras ocasiões, agora teria deixado de ser adequada justamente para a principal atração da festa.
A discussão também envolve prioridade. Um show de quase R$ 300 mil naturalmente atrai atenção pública. Mas, se a Prefeitura decidiu bancar uma atração desse porte dentro da Festa de São Pedro, deveria ter planejado o evento de forma a fortalecer a própria festa, não a separar em dois polos. Evento público não pode virar vitrine de gestão enquanto a tradição comunitária fica no prejuízo.
A Festa de São Pedro não pertence ao gabinete, nem à Secretaria de Cultura, nem ao marketing da Prefeitura. Ela pertence à cidade, à comunidade católica, aos voluntários, aos fiéis, aos comerciantes da quermesse e às famílias que mantêm essa tradição viva há anos.
A mudança do show para o Centro de Eventos coloca João Fadel e Fábio Nogueira diante de uma cobrança inevitável: por que a Prefeitura decidiu tirar o maior público da praça e deixar a quermesse da Igreja em posição de risco?
Até que a gestão apresente explicações claras, a impressão política é pesada: a Prefeitura escolheu o palco, mas deixou a quermesse para trás.















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