A gestão do prefeito João Fadel Filho voltou a ser pressionada na Câmara Municipal de Itararé por um problema que já havia sido denunciado e que, segundo o vereador Dr. Filipe Martins, continua sem solução: ambulâncias da frota da Saúde paradas, enquanto a Prefeitura amplia os gastos com contratação de veículos para transporte de pacientes.
Durante a 17ª Sessão Ordinária, realizada em 25 de maio de 2026, Dr. Filipe afirmou que uma ambulância Renault Master, ano 2021, modelo 2022, de grande porte, identificada pela placa DVR3I22, estaria parada desde fevereiro de 2025. Segundo o parlamentar, o veículo já havia sido localizado em novembro do ano passado, após denúncia feita há cerca de seis meses, quando a ambulância já estaria parada havia meses. Ainda de acordo com o vereador, depois da repercussão do caso, a viatura teria sido retirada do local onde estava e levada para outro ponto de acesso mais difícil.
O ponto mais grave da cobrança é que, de acordo com Dr. Filipe, a ambulância não teria sido retirada para voltar a atender a população. Ela apenas teria mudado de lugar. Em outras palavras, a Prefeitura moveu o problema, mas não resolveu o problema.
Na avaliação política feita pelo parlamentar, a movimentação levanta uma suspeita incômoda para o governo: em vez de consertar o veículo e devolver a ambulância ao serviço público, a gestão teria apenas tirado o bem da vista da população.
A situação ficou ainda mais delicada porque, segundo o vereador, uma segunda ambulância também foi encontrada parada. Esse outro veículo foi identificado pela placa ELD4I11. O parlamentar afirmou que ainda não possui todas as informações sobre o tempo de paralisação dessa segunda ambulância, mas disse que ela estaria fora de operação.
Com isso, o caso deixa de ser um episódio isolado e passa a expor uma possível falha estrutural na gestão da frota da Saúde.
Gasto com ambulâncias contratadas passa de R$ 1,1 milhão na gestão Fadel
O dado que mais aumenta a pressão sobre o governo está no Portal da Transparência da Prefeitura de Itararé. Considerando apenas os anos de 2025 e 2026, período da atual gestão do prefeito João Fadel Filho, as despesas com contratação de ambulância já somam R$ 1.106.722,21.
Segundo levantamento feito com base no Portal da Transparência, os valores são:
2025: R$ 533.375,91
2026, até maio: R$ 573.346,30
O número de 2026 chama atenção. Em apenas cinco meses, a gestão Fadel já gastou R$ 39.970,39 a mais do que em todo o ano de 2025 com contratação de ambulâncias.
Esse crescimento ocorre justamente enquanto, segundo denúncia apresentada pelo vereador Dr. Filipe Martins na Câmara, ao menos duas ambulâncias da frota própria estariam paradas.
A pergunta que a Prefeitura precisa responder é objetiva: se há veículos próprios fora de operação, por que a despesa com contratação de ambulâncias continua subindo?

A conta da má gestão chega ao paciente
A discussão não é apenas sobre veículos, placas ou oficina. É sobre prioridade pública.
Ambulância parada em uma cidade com fila por exames, consultas especializadas e transporte de pacientes para outras cidades não é detalhe administrativo. É sintoma de desorganização. Quando a frota própria falha, a Prefeitura contrata. Quando contrata, o custo aumenta. Quando o custo aumenta, sobra menos dinheiro para outras necessidades da Saúde.
É aí que a conta fecha contra o cidadão.
O dinheiro gasto com contratação de ambulâncias poderia, em tese, ajudar a reforçar áreas sensíveis, como exames, ultrassonografias, consultas com especialistas, manutenção preventiva da frota e transporte regular de pacientes. Mas, enquanto veículos públicos permanecem parados, a gestão segue recorrendo a contratações.
A contradição é difícil de explicar: a Prefeitura tem ambulâncias, mas contrata ambulâncias. Tem veículo de grande porte, mas ele não roda. Tem denúncia pública, mas o problema continua. Tem gasto crescente, mas a população segue sem resposta clara.
Isso não parece planejamento. Parece improviso com dinheiro público.
Consulta no Portal da Transparência aumenta cobrança por documentos
Outro ponto citado na apuração envolve consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura de Itararé. Em print anexado, uma busca feita no sistema de contratos não localizou resultado para o fornecedor pesquisado nos exercícios consultados.
Esse dado, isoladamente, não comprova irregularidade. Mas reforça a necessidade de explicação oficial, especialmente diante da afirmação feita pelo vereador de que uma das ambulâncias estaria desmontada em local onde não foi identificado contrato vigente na consulta apresentada.
A Prefeitura precisa esclarecer, com documentos, a situação das ambulâncias de placas DVR3I22 e ELD4I11.
Entre as perguntas que precisam de resposta estão:
Desde quando cada ambulância está fora de operação?
Qual foi o motivo técnico da paralisação?
Existe laudo mecânico?
Houve orçamento formal?
Houve empenho?
Houve ordem de serviço?
Houve compra de peças?
Quem autorizou o deslocamento dos veículos?
Existe contrato vigente para manutenção no local onde os veículos foram encontrados?
Qual é o prazo para que as ambulâncias voltem a atender a população?
Essas respostas não são favor político. São obrigação administrativa.
Ambulância denunciada, deslocada e ainda parada
O caso se tornou ainda mais sensível porque não é novo.
A ambulância de placa DVR3I22 já havia sido alvo de denúncia em novembro de 2025. Na época, a cobrança era que o veículo estaria parado havia meses, sem uso, enquanto pacientes dependiam do transporte público de Saúde.
Agora, segundo Dr. Filipe, o problema continuaria praticamente no mesmo ponto. A diferença é que a ambulância teria sido retirada do local onde havia sido encontrada e levada para outro espaço, de acesso mais difícil.
Se confirmado, o gesto é politicamente devastador para a gestão João Fadel Filho. Afinal, diante de uma denúncia pública, o esperado seria abrir processo, contratar manutenção dentro da legalidade, consertar o veículo e devolver a ambulância à população.
Mas, segundo a cobrança feita na Câmara, isso não aconteceu.
A Prefeitura teve tempo. Desde a denúncia de novembro de 2025, passaram-se cerca de seis meses. Desde fevereiro de 2025, data apontada pelo vereador como início da paralisação, passou-se mais de um ano.
Se havia necessidade de licitação, orçamento, compra de peças ou contratação de serviço, a administração teve prazo suficiente para agir.
Frota parada virou símbolo do desgaste na Saúde
A fala de Dr. Filipe Martins atinge o centro político da gestão Fadel porque trata do básico: cuidar do patrimônio público e manter serviços essenciais funcionando.
Não estamos falando de projeto sofisticado, obra milionária ou promessa de campanha distante. Estamos falando de ambulância. Veículo essencial para transportar pacientes, muitos deles em situação de vulnerabilidade, que dependem exclusivamente do SUS.
Por isso, a imagem de duas ambulâncias paradas enquanto a gestão já gastou mais de R$ 1,1 milhão com contratação de veículos é forte. E é forte porque comunica, em uma única cena, a crítica que vem crescendo contra o governo: falta gestão, falta prioridade e falta resposta.
Quando um veículo público fica parado por mais de um ano, a população perde. Quando esse veículo é retirado do local após denúncia e continua sem conserto, a confiança pública também perde. Quando outra ambulância aparece parada, o problema deixa de ser exceção e vira padrão.
A crise da frota da Saúde se transformou em mais uma vitrine negativa da administração João Fadel Filho.
Prefeitura deve explicações à população
A Prefeitura de Itararé precisa se manifestar de forma objetiva. Não basta dizer que providências estão sendo tomadas. É necessário apresentar documentos, datas, laudos, contratos, empenhos, ordens de serviço e previsão concreta de retorno das ambulâncias ao atendimento.
A população não precisa de ambulância escondida, parada ou desmontada. Precisa de ambulância funcionando.
Enquanto a gestão João Fadel Filho não explicar por que duas viaturas da frota própria seguem paradas e por que os gastos com contratação de ambulâncias já passam de R$ 1,1 milhão em 2025 e 2026, o caso continuará sendo uma das imagens mais fortes da crise administrativa na Saúde de Itararé.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Itararé.
Relembre o caso
Em 27 de novembro de 2025, uma denúncia publicada nas redes sociais apontou que uma ambulância da Prefeitura de Itararé estaria parada há meses. Na ocasião, o caso foi tratado como denúncia em apuração, com pedido de documentos, registros de manutenção, justificativas e informações oficiais.
O vídeo levantou questionamentos sobre a situação da frota da Saúde e motivou cobranças dos vereadores Dr. Filipe Martins e Sandro Macedo.
Assista ao vídeo da denúncia:
https://www.instagram.com/p/DRkG2aFEfNe/
Posteriormente, em 31 de março de 2026, o Jornal Folha Sudeste publicou a matéria “Gasto com ambulâncias dispara em Itararé e amplia pressão sobre gestão João Fadel Filho”, mostrando que os pagamentos por transporte de pacientes haviam aumentado e ampliado a pressão sobre o governo municipal.
Leia a matéria anterior:
https://folhasudeste.com.br/gasto-ambulancias-itarare-gestao-joao-fadel-pressao-camara/
Agora, com a nova fala do vereador Dr. Filipe Martins na Câmara, o caso ganha novo capítulo: a ambulância apontada na denúncia de novembro teria sido retirada do local onde estava, mas, segundo o parlamentar, continuaria parada. Além disso, uma segunda ambulância também foi apontada como fora de operação.
















Discussão sobre este post