A crise da zeladoria urbana em Itararé deixou de ser apenas uma reclamação de bairro. Virou um problema político instalado no centro da gestão João Fadel Filho. Na 22ª Sessão Ordinária, realizada em 30 de junho de 2026, o vereador Dr. Filipe Martins fez uma das falas mais duras do semestre contra a Secretaria de Serviços Municipais e apontou aquilo que muitos moradores já sentem no dia a dia: a cidade está convivendo com buracos, manutenção precária e respostas administrativas abaixo do mínimo esperado.
A crítica mirou diretamente o secretário Lucas Aparecido Castilho, responsável pela Secretaria de Serviços Municipais. Mas o peso político da cobrança vai além da pasta. Secretário não se mantém sozinho no cargo. Quem nomeia, banca e sustenta politicamente a equipe é o prefeito. Por isso, a permanência de Lucas Castilho, mesmo após uma sequência de críticas públicas, denúncias e cobranças sobre buracos, lixo, descarte irregular e falhas na manutenção urbana, passa a ser também uma escolha direta de João Fadel Filho.

A própria Prefeitura informa Lucas Aparecido Castilho como secretário de Serviços Municipais, pasta ligada ao atendimento das demandas de manutenção urbana. O site oficial também registra João Jorge Fadel Filho como prefeito de Itararé. A nomeação de Castilho para a secretaria foi anunciada no início da gestão, em janeiro de 2025, com a expectativa de atuação em infraestrutura e manutenção da cidade.
Na tribuna, Dr. Filipe afirmou que a oposição tem papel fundamental na democracia e citou como exemplo a cobrança feita sobre a gestão de resíduos e inertes. Segundo o vereador, após a denúncia e a pressão legislativa, o município passou a contar com uma área específica para triagem e destinação adequada. A fala desmonta a narrativa confortável de que fiscalizar atrapalha. O que atrapalha é problema escondido, serviço mal gerido e governo que só se mexe depois do desgaste público.
O ponto mais forte da manifestação foi a situação dos buracos nas ruas. Dr. Filipe afirmou que “já teve tempo suficiente para que medidas concretas fossem adotadas”, mas que, na prática, o que se vê é “o caos”. A frase é dura, mas conversa com a realidade de quem precisa desviar de crateras diariamente, de quem danifica pneus, rodas e suspensão, de quem cai de moto e de quem paga imposto sem receber o básico em troca.
Segundo o vereador, um buraco não nasce gigante. Ele começa com uma trinca, um pequeno defeito, uma falha ignorada. Quando a Prefeitura demora, o problema cresce, a manutenção fica mais cara e a cidade paga duas vezes: primeiro com o prejuízo do cidadão, depois com o custo maior para recuperar aquilo que poderia ter sido resolvido no começo. Buraco pequeno pede gestão. Buraco grande revela abandono.
A crítica também atingiu o funcionamento interno da Secretaria de Serviços Municipais. Dr. Filipe afirmou que havia uma equipe específica para tapa-buracos, que essa equipe teria sido desmobilizada e que um rolo compactador comprado para melhorar a aplicação da massa asfáltica não estaria mais sendo usado no serviço. Se confirmado, o caso deixa de ser apenas deficiência operacional e passa a indicar falha grave de gestão. Equipamento parado e equipe desmontada não tapam buraco. Tapam, no máximo, discurso oficial.
O vereador ainda comparou a situação atual com a gestão anterior da pasta, quando Marcelo Zanete comandava os serviços municipais. Segundo Dr. Filipe, mesmo sendo alvo constante de críticas na Câmara, o antigo secretário conseguia manter resposta melhor “com as mesmas condições” que o atual secretário teria hoje. A comparação é politicamente pesada porque joga luz sobre a questão central: se antes havia cobrança e havia entrega, por que agora há cobrança, estrutura e equipamento, mas falta resultado?
O desgaste de Lucas Castilho não aparece isolado. Nos últimos meses, a Secretaria de Serviços Municipais virou alvo recorrente de críticas envolvendo zeladoria, limpeza, vias públicas e manutenção. Em junho, o Folha Sudeste já havia publicado matéria em que Dr. Filipe mirava o secretário e dizia que a pasta havia se tornado “símbolo de abandono” em Itararé.
Além disso, a cidade enfrentou repercussão regional em caso de descarte irregular. Reportagens apontaram multa aplicada pela Cetesb à Prefeitura de Itararé após identificação de descarte irregular em terreno público às margens da Rodovia Aparício Biglia Filho, a SP-281. A própria Prefeitura também publicou nota oficial afirmando que foi surpreendida por denúncia envolvendo descarte irregular e que não compactua com esse tipo de prática.
É justamente esse acúmulo que enfraquece a tentativa de tratar cada caso como episódio isolado. Quando há buraco, lixo, descarte irregular, reclamação recorrente e cobrança pública no Legislativo, o problema deixa de ser ruído de oposição e vira diagnóstico administrativo. Uma gestão pode até errar. O que não pode é transformar erro repetido em rotina de governo.
A Secretaria de Serviços Municipais é a pasta do básico. Não é espaço para marketing, justificativa longa ou promessa bonita. É a área que precisa manter rua, estrada, praça, limpeza, iluminação de apoio, cemitérios e estruturas urbanas funcionando. Quando essa engrenagem falha, o cidadão sente no pneu furado, na calçada tomada por mato, no lixo acumulado, no risco de acidente e no bolso.
É por isso que a responsabilidade política volta para João Fadel Filho. O prefeito pode não operar máquina, não aplicar massa asfáltica e não comandar pessoalmente uma equipe de manutenção. Mas é ele quem escolhe o secretariado, define prioridade, cobra desempenho e decide quem continua ou não no cargo. Manter um secretário sob desgaste recorrente também é decisão de governo. E decisão de governo tem consequência.
A oposição, nesse caso, faz o papel que deveria incomodar qualquer administração acomodada: fiscalizar, expor, cobrar e forçar resposta. A fala de Dr. Filipe Martins eleva o tom porque a cidade já passou da fase da paciência protocolar. Itararé não precisa de desculpa. Precisa de cronograma, equipe, equipamento em operação, manutenção preventiva e prestação de contas.
Se Lucas Castilho tem condições de entregar, que apresente resultado concreto. Se não tem, cabe ao prefeito explicar por que insiste em mantê-lo à frente de uma das secretarias mais sensíveis da cidade. Porque, neste momento, a pergunta deixou de ser apenas sobre o secretário. A pergunta agora é sobre o prefeito.
No fim, o buraco virou símbolo. Começa pequeno, é ignorado, cresce, toma a rua e vira prejuízo. Com governo acontece parecido. Quando a gestão ignora sinais, minimiza críticas e demora a agir, o problema deixa o asfalto e chega ao Paço Municipal. E Itararé começa a perguntar se o maior buraco da cidade está nas ruas ou na capacidade da administração de cuidar do básico.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Itararé e da Secretaria Municipal de Serviços Municipais.















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