Os relatos citam pontos do Bairro Pedra Branca, Itopava, Fazenda Silvério, Rua Pedro Simão, Rua Benjamin Gonçalves, Estrada do Caqui, acessos próximos à Congregação e trechos utilizados no deslocamento em direção a Itaberá.
O material entregue ao jornal inclui fotografias e vídeos que, segundo os moradores, foram registrados em agosto, agosto, setembro e outubro de 2026, além de imagens anteriores. Em diferentes pontos é possível observar erosões, acúmulo de água, lama, pedras expostas e irregularidades no leito das vias.
Veja as imagens enviadas por moradores
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Van escolar encalhou em trecho usado por estudantes
Um dos episódios mais preocupantes relatados ocorreu em um acesso utilizado pelo transporte escolar.
Segundo moradores, uma van teria encalhado enquanto realizava o transporte de estudantes. Imagens encaminhadas ao jornal mostram o veículo parado em uma estrada de terra, em meio às dificuldades de circulação.
O problema deixa de ser apenas uma discussão sobre conforto quando uma estrada utilizada para levar crianças à escola passa a representar dificuldade para o próprio veículo responsável pelo serviço.
Moradores da Fazenda Silvério também afirmam que crianças dependem diariamente de trechos que apresentam problemas há meses.
Trabalho, coleta de lixo e acesso às casas
Os efeitos também chegam a quem precisa deixar a zona rural para trabalhar.
Moradores relatam atrasos e necessidade de utilização de caminhos alternativos para chegar a Itararé e Itaberá. Entre os usuários frequentes das vias estão professores, funcionários públicos, trabalhadores da construção civil e funcionários de empresas da região.
Em outro registro encaminhado ao jornal, um caminhão utilizado na coleta de lixo aparece em um trecho tomado pela lama. Moradores afirmam que as dificuldades de circulação chegaram a afetar o serviço de coleta.
Na Rua Pedro Simão, outro relato envolve uma moradora idosa que, segundo os denunciantes, enfrenta dificuldade para receber compras em casa porque veículos não conseguiriam chegar adequadamente até sua residência.
Máquina nova, problema velho
A cobrança ganha peso diante do que a própria Prefeitura anunciou meses atrás.
15 de junho de 2026, o município divulgou a aquisição de uma escavadeira hidráulica de 22 toneladas, investimento total de R$ 658,9 mil, informando que o equipamento seria utilizado, entre outras finalidades, na manutenção de estradas rurais, drenagem e recuperação de áreas atingidas por erosões. Na ocasião, o secretário de Serviços Municipais, Lucas Castilho, afirmou que a máquina permitiria executar serviços com mais “rapidez, qualidade e eficiência”.
As imagens apresentadas agora pelos moradores impõem uma pergunta objetiva à Secretaria de Serviços Municipais: onde essa rapidez e eficiência estão chegando para quem depende dessas estradas todos os dias?
Lucas Castilho é o responsável pela Secretaria Municipal de Serviços Municipais, pasta diretamente relacionada aos serviços de manutenção e infraestrutura municipal. Documentos oficiais da Prefeitura identificam o secretário no cargo.
E a responsabilidade do prefeito?
A responsabilidade política da administração também chega ao prefeito João Jorge Fadel Filho, chefe do Executivo municipal na gestão 2025-2028.
Nas semanas anteriores à eleição de 4 de outubro, João Fadel manifestou publicamente apoio a candidatos a deputado estadual, entre eles Polaco Moura, cuja trajetória política está ligada a Apiaí, conforme registros já publicados pela Folha Sudeste.
Apoiar candidatos é um direito político do prefeito. A cobrança dos moradores, porém, é outra: enquanto havia tempo e mobilização para a agenda eleitoral, por que comunidades de Itararé continuavam registrando dificuldades para levar crianças à escola, chegar ao trabalho e circular pelas estradas do próprio município?
Chuva pode agravar uma estrada rural. O que precisa ser explicado é por que moradores apresentam registros sucessivos, de diferentes meses e locais, e afirmam que as intervenções realizadas até agora não solucionaram os problemas.
Pedra Branca também é Itararé. A zona rural também paga impostos, trabalha, produz e precisa chegar à escola, ao médico e ao emprego. Manutenção de estrada não é favor. É serviço público.

















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