Itararé ainda vive as consequências da tempestade que atingiu o município no último domingo. Casas foram destelhadas, famílias perderam bens e servidores, Defesa Civil, forças de segurança e voluntários permanecem envolvidos nas ações de recuperação.A cidade continua em situação de emergência.Nesse mesmo período, vídeos e imagens obtidos pela Folha Sudeste mostram o prefeito João Fadel participando de uma confraternização privada em Apiaí, realizada após um encontro de lideranças ocorrido no município na sexta-feira, 4 de setembro de 2026.
Nas imagens, João Fadel aparece bebendo cerveja, cantando e participando da confraternização.
ITARARÉ EM EMERGÊNCIA. O PREFEITO EM UMA FESTA PRIVADA EM APIAÍ.
O contraste é o ponto central desta reportagem.
Enquanto famílias ainda tentavam recuperar telhados, proteger suas casas e reorganizar a própria vida depois da tempestade, o chefe do Executivo municipal estava fora de Itararé, em uma confraternização privada.
A emergência ainda não acabou
A situação de emergência foi decretada depois da tempestade de 30 de agosto, que provocou alagamentos, destelhamentos, danos em residências, riscos de desabamento e prejuízos também em estruturas públicas. Segundo a própria Prefeitura, o decreto determinou a mobilização dos órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil, para atendimento da população e recuperação das áreas atingidas.
O município informou ainda que 719 residências haviam sido atendidas até a manhã de 1º de setembro, mas reconheceu que o levantamento não era definitivo e que famílias continuavam buscando auxílio, especialmente para coberturas emergenciais.
A administração também divulgou que mantinha uma força-tarefa envolvendo Defesa Civil, Guarda Civil Municipal, secretarias, servidores e voluntários. A emergência continuava. O atendimento continuava. E os efeitos da tempestade também.
Quem criticou o “palanque político” durante a tragédia apareceu, poucos dias depois, em um palco político enquanto Itararé ainda permanecia em emergência.A questão não é se um prefeito pode participar de uma confraternização. A questão é se esse era o momento adequado para isso.
Enquanto Itararé se recuperava, o prefeito confraternizava
Os registros mostram João Fadel bebendo cerveja, cantando e participando de uma confraternização privada em Apiaí. O jornal não questiona o direito de qualquer cidadão, inclusive um prefeito, de cantar, beber ou participar de momentos de confraternização.
O que está em discussão é o contexto. Enquanto isso, em Itararé, servidores públicos, equipes de emergência, voluntários e moradores permaneciam envolvidos nos trabalhos decorrentes do temporal.
De um lado, uma cidade oficialmente em emergência. Do outro, seu prefeito em uma confraternização privada fora do município.
Esse contraste não é uma interpretação criada pela reportagem. Ele está registrado nas próprias imagens.
Quase três horas de distância
Registro do Waze aponta uma rota de aproximadamente 179 quilômetros e 2 horas e 48 minutos entre Itararé e Apiaí. Considerando o mesmo trajeto, são aproximadamente 358 quilômetros de ida e volta e mais de cinco horas apenas de deslocamento, sem contar o tempo de permanência nos compromissos.
Isso levanta outra questão de interesse público: por quanto tempo o prefeito permaneceu fora de Itararé enquanto o município seguia em situação de emergência?
E, durante esse período: quem permaneceu responsável pela condução administrativa da cidade e pela resposta às consequências do temporal?
O contraste com o discurso de “palanque político”
O episódio também chama atenção por causa das declarações feitas pelo próprio João Fadel poucos dias depois da tempestade. O prefeito criticou publicamente pessoas que, segundo ele, estariam utilizando a tragédia para conseguir engajamento e fazer “palanque político”.
Dias depois, ainda durante a situação de emergência, o prefeito participou de compromissos em Apiaí e aparece posteriormente em uma confraternização privada.
A Folha Sudeste não afirma que João Fadel tenha utilizado a tragédia durante a confraternização ou que exista relação entre a assistência às vítimas e o encontro. Mas existe uma questão legítima de coerência entre discurso e comportamento.
Enquanto cobrava responsabilidade de outros diante da tragédia, o prefeito apareceu poucos dias depois cantando e bebendo em uma confraternização fora da cidade, ainda durante a emergência.
E as famílias atingidas?
Mais importante do que qualquer discussão política é saber como estavam as pessoas diretamente atingidas pela tempestade.
A Prefeitura precisa esclarecer:
Quantas casas ainda estavam cobertas apenas com lonas? Quantas famílias ainda aguardavam telhas ou reparos? Quantos imóveis já haviam sido efetivamente recuperados? Todas as famílias estavam protegidas diante da possibilidade de novas chuvas? Quem ficou responsável pela administração municipal durante a ausência do prefeito?
A diferença é importante. Atender uma residência não significa necessariamente que o problema daquela família tenha sido definitivamente resolvido.
Não é sobre beber ou cantar. É sobre prioridade.
A participação de João Fadel em uma confraternização privada, isoladamente, não representa qualquer ilegalidade automática. Essa reportagem não questiona o direito do prefeito de ter momentos pessoais.
A discussão é sobre prioridade, responsabilidade pública e sensibilidade diante de uma situação excepcional. Itararé não vivia uma semana comum. A cidade estava, e continua, em situação de emergência.
Servidores continuavam trabalhando. Voluntários continuavam ajudando. Famílias continuavam lidando com prejuízos.
Enquanto isso, o prefeito estava fora do município, participando de uma confraternização privada, bebendo e cantando.
Não é sobre festa. É sobre prioridade.
Agora cabe à administração explicar se considerava a situação suficientemente controlada para que o chefe do Executivo estivesse fora da cidade naquele momento e qual era a condição real das famílias atingidas.
















Discussão sobre este post